SOCIALIS...SÍMO
Como há pessoas que nascem em berço de ouro, recebem uma educação esmerada e sobrevivem a tudo isso carregadas de simpatia e generosidade, proponho que passemos a ser exactos nos termos. E sem me querer substituir à Ana Bola, que fez um livro sensato sobre a questão, gostaria de propôr um termo para aquelas tias que além de falarem "assiiiimmm" (pelo nariz) e de arrastarem as argolas debaixo da acrescentada cabeleira loura, não dão uma para a caixa.
Para elas, "tiazorra" não chega. Para essa erupção cutâneosocial é chamar-lhe mesmo:
TIAZURRA.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
29 de junho de 2003
SE FOR PRECIZO ENTUPIMOZUS
Segundo o Público, "O secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, manifestou hoje o apoio do seu partido à luta dos taxistas e acusou o Executivo de "querer obter receitas a todo o custo (...). O Governo quer resolver o problema do défice a todo o custo sem olhar às dificuldades dos cidadãos", sublinhou Carvalhas, na inauguração das novas instalações do Centro de Trabalho do PCP em Alcochete, informa a Lusa.
Os pagamentos especiais por conta significam, segundo os taxistas, o pagamento de 1250 euros em duas prestações, em Julho e Novembro, verba que consideram elevada e dizem não poder comportar."
Mais uma vez, os políticos mostram um profundo conhecimento do tecido social e profissional do país. Pedir 125 contos, duas vezes por ano, aos taxistas, que marcam mais de 2 euros só para meter o motor a trabalhar e que a seguir se perdem pelas ruas da cidade, depois de se assegurarem que a resposta à pergunta, "Quer ir por onde?" demonstrou a ignorância do passageiro, parece-me uma violência. Tenho a certeza que as empresas de táxi declaram a totalidade dos seus rendimentos. Mesmo se na maior parte dos casos não passam recibos. Afinal, qualquer pessoa sabe que é um honradíssimo e profissionalíssimo negócio. Eu, se fosse taxista, entupia completamente Lisboa. E a próxima vez que algum político que (por acaso) aparecesse a justificar esta medida tivesse a triste ideia de apanhar um taxi, levava-o para um lado qualquer e dava-lhe uma sova. Afinal, essa não é uma prática incomum...
Segundo o Público, "O secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, manifestou hoje o apoio do seu partido à luta dos taxistas e acusou o Executivo de "querer obter receitas a todo o custo (...). O Governo quer resolver o problema do défice a todo o custo sem olhar às dificuldades dos cidadãos", sublinhou Carvalhas, na inauguração das novas instalações do Centro de Trabalho do PCP em Alcochete, informa a Lusa.
Os pagamentos especiais por conta significam, segundo os taxistas, o pagamento de 1250 euros em duas prestações, em Julho e Novembro, verba que consideram elevada e dizem não poder comportar."
Mais uma vez, os políticos mostram um profundo conhecimento do tecido social e profissional do país. Pedir 125 contos, duas vezes por ano, aos taxistas, que marcam mais de 2 euros só para meter o motor a trabalhar e que a seguir se perdem pelas ruas da cidade, depois de se assegurarem que a resposta à pergunta, "Quer ir por onde?" demonstrou a ignorância do passageiro, parece-me uma violência. Tenho a certeza que as empresas de táxi declaram a totalidade dos seus rendimentos. Mesmo se na maior parte dos casos não passam recibos. Afinal, qualquer pessoa sabe que é um honradíssimo e profissionalíssimo negócio. Eu, se fosse taxista, entupia completamente Lisboa. E a próxima vez que algum político que (por acaso) aparecesse a justificar esta medida tivesse a triste ideia de apanhar um taxi, levava-o para um lado qualquer e dava-lhe uma sova. Afinal, essa não é uma prática incomum...
NATURALMENTE
Uma coisa curiosa de ver nas praias é a turma dos mirones. São normalmente homens solitários, de barriga-e-meia para cima, que se passeiam ao longo da babugem, fingindo desentorpecer as pernas. Mas que não tiram os olhos dos cus alheios.
Nas (raras) praias em que a legislação resolveu abrir uma excepção ao predomínio têxtil e onde em zonas claramente definidas centenas de pessoas optaram por não dar dinheiro à Zara, secção fatos de banho, ainda é pior. De forma totalmente despudorada e, sobretudo, impune, gente solitária ou emparelhada atravessa vestida os areais, com os olhos colados a áreas muito específicas do corpo de quem lá está. Estão-se a cagar para o respeito. Assumem a pose do lavrador que vai às putas. Só não apalpam porque têm medo de levar algum sopapo. Depois voltam para as toalhinhas das mulherzinhas e ajeitam o sexozinho excitado discretamente, antes de abrirem o correio da manhã na parte dos classificados.
Uma coisa curiosa de ver nas praias é a turma dos mirones. São normalmente homens solitários, de barriga-e-meia para cima, que se passeiam ao longo da babugem, fingindo desentorpecer as pernas. Mas que não tiram os olhos dos cus alheios.
Nas (raras) praias em que a legislação resolveu abrir uma excepção ao predomínio têxtil e onde em zonas claramente definidas centenas de pessoas optaram por não dar dinheiro à Zara, secção fatos de banho, ainda é pior. De forma totalmente despudorada e, sobretudo, impune, gente solitária ou emparelhada atravessa vestida os areais, com os olhos colados a áreas muito específicas do corpo de quem lá está. Estão-se a cagar para o respeito. Assumem a pose do lavrador que vai às putas. Só não apalpam porque têm medo de levar algum sopapo. Depois voltam para as toalhinhas das mulherzinhas e ajeitam o sexozinho excitado discretamente, antes de abrirem o correio da manhã na parte dos classificados.
QUERIDO PIPIU
O Expresso, através do seu ciberepórter P. Querido, continua na vanguarda da informação. Depois da promoção ao Abrupto, eis que surge o Meu Pipi no top das preferências queridianas. Blogues que falam de astronomia, cultura, música... não titilam o maior semanário do país. É a caralhada que os faz feliz. Só posso dizer que nesse particular... não estão sozinhos.
Vem-me à memória uma ideia jocosa de um amigo meu, argumentista, e que dizia que um dia ainda teríamos de escrever um espectáculo em que o actor só dissesse "Foda-se!" e "Filhodaputa". Ele tinha a certeza que isso seria um sucesso (como o levanta-comédias F. Rocha veio provar). Aparentemente, na blogosfera as coisas não são muito diferentes. E claro, se até o papa usou a palavra "genial", quem somos nós para desdizer.
Está encontrado o Henry Miller português.
O Expresso, através do seu ciberepórter P. Querido, continua na vanguarda da informação. Depois da promoção ao Abrupto, eis que surge o Meu Pipi no top das preferências queridianas. Blogues que falam de astronomia, cultura, música... não titilam o maior semanário do país. É a caralhada que os faz feliz. Só posso dizer que nesse particular... não estão sozinhos.
Vem-me à memória uma ideia jocosa de um amigo meu, argumentista, e que dizia que um dia ainda teríamos de escrever um espectáculo em que o actor só dissesse "Foda-se!" e "Filhodaputa". Ele tinha a certeza que isso seria um sucesso (como o levanta-comédias F. Rocha veio provar). Aparentemente, na blogosfera as coisas não são muito diferentes. E claro, se até o papa usou a palavra "genial", quem somos nós para desdizer.
Está encontrado o Henry Miller português.
28 de junho de 2003
TODOS BONS AMIGOS
Como de costume o Pedro Mexia escreve uma resposta exemplar à polémica Prdiana e à pronta defesa de Miguel Esteves Cardoso, no seu blog. Tudo o que eu pudesse ainda dizer sobre esse assunto seria redundante. É ir lá e ler.
Contudo, reproduzo, com a devida vénia, algumas frases: "Amizade? Fidelidade? Lealdade? Com certeza. Mas por vezes os nossos amigos não têm razão, e por vezes não têm razão nenhuma, e nessas alturas discordar deles não é uma traição à amizade mas faz parte da amizade".
Este é um dos assuntos que me toca particularmente. Quando se tem um feitio que nos faz dizer as coisas imediatamente às pessoas de quem gostamos, não podemos ficar insensíveis às frases citadas. Eu sou leal como um cão com os meus amigos. Mesmo quando as amizades acabam, seja lá por que fôr, ainda assim, continuo a defendê-los e a protegê-los das agressões externas. Um bocadinho como quem ficasse a soprar os vestígios de brasa numa fogueira praticamente extinta. Não que eu ache isso sensato, e muito menos valoroso, no sentido "camoniano do termo. É mania. Contudo, não consigo deixar de separar as pessoas dos actos. Mesmo que quisesse não poderia separar. É por isso que não ponho as mãos no fogo pela inocência de ninguém. Porei sim, as mãos nas chamas por eles; para que eles saibam que está ali alguém. Mesmo que sejam culpados, mesmo que discorde dos seus actos.
E não é por mais nada que não seja pelo facto de serem meus amigos. Pronto.
Como de costume o Pedro Mexia escreve uma resposta exemplar à polémica Prdiana e à pronta defesa de Miguel Esteves Cardoso, no seu blog. Tudo o que eu pudesse ainda dizer sobre esse assunto seria redundante. É ir lá e ler.
Contudo, reproduzo, com a devida vénia, algumas frases: "Amizade? Fidelidade? Lealdade? Com certeza. Mas por vezes os nossos amigos não têm razão, e por vezes não têm razão nenhuma, e nessas alturas discordar deles não é uma traição à amizade mas faz parte da amizade".
Este é um dos assuntos que me toca particularmente. Quando se tem um feitio que nos faz dizer as coisas imediatamente às pessoas de quem gostamos, não podemos ficar insensíveis às frases citadas. Eu sou leal como um cão com os meus amigos. Mesmo quando as amizades acabam, seja lá por que fôr, ainda assim, continuo a defendê-los e a protegê-los das agressões externas. Um bocadinho como quem ficasse a soprar os vestígios de brasa numa fogueira praticamente extinta. Não que eu ache isso sensato, e muito menos valoroso, no sentido "camoniano do termo. É mania. Contudo, não consigo deixar de separar as pessoas dos actos. Mesmo que quisesse não poderia separar. É por isso que não ponho as mãos no fogo pela inocência de ninguém. Porei sim, as mãos nas chamas por eles; para que eles saibam que está ali alguém. Mesmo que sejam culpados, mesmo que discorde dos seus actos.
E não é por mais nada que não seja pelo facto de serem meus amigos. Pronto.
27 de junho de 2003
TRANPORTES
Hoje esperei, à torreira do sol, mais de uma hora pelo autocarro 9. Eu e uma gigantesca fila que se ia reproduzindo em direcção ao Teatro Nacional (onde por sinal, dezenas de africanos clandestinos me pareciam bastante descontraídos). Pensei tratar-se de uma das habituais greves individuais da Carris, uma modalidade que consiste em não sair com os autocarros a horas, em protesto pelas condições desumanas de trabalho (como terem que ligar o ar condicionado nos dias de calor e assim...). Havia entre os meus colegas outras opiniões sobre o atraso, sendo a mais aceite a de "estar a dar um jogo antecipado da bola". Como todo o utente dos transportes públicos de Lisboa sabe: dia de futebol é dia de Aguenta Na Paragem Que Eu Já Lá Vou.
Mas parece que desta vez eram os taxistas.
Essas pacíficas criaturas tinham marcado um piquenique para hoje e resolveram entupir a as ruas, parando os carros. Nada de novo, portanto. A manifestação começou mais tarde porque a maioria, mercê do hábito enraizado, pôs-se a dar voltas na cidade em vez de ir directo para o sítio marcado.
Não percebi bem a razão do protesto, mas penso que reclamam subsídios para acabarem a 4ª classe e comparticipação nas pastilhas para a rouquidão. É que insultar diariamente dezenas de passageiros dá cabo da garganta... PÓ PÓ!!
Hoje esperei, à torreira do sol, mais de uma hora pelo autocarro 9. Eu e uma gigantesca fila que se ia reproduzindo em direcção ao Teatro Nacional (onde por sinal, dezenas de africanos clandestinos me pareciam bastante descontraídos). Pensei tratar-se de uma das habituais greves individuais da Carris, uma modalidade que consiste em não sair com os autocarros a horas, em protesto pelas condições desumanas de trabalho (como terem que ligar o ar condicionado nos dias de calor e assim...). Havia entre os meus colegas outras opiniões sobre o atraso, sendo a mais aceite a de "estar a dar um jogo antecipado da bola". Como todo o utente dos transportes públicos de Lisboa sabe: dia de futebol é dia de Aguenta Na Paragem Que Eu Já Lá Vou.
Mas parece que desta vez eram os taxistas.
Essas pacíficas criaturas tinham marcado um piquenique para hoje e resolveram entupir a as ruas, parando os carros. Nada de novo, portanto. A manifestação começou mais tarde porque a maioria, mercê do hábito enraizado, pôs-se a dar voltas na cidade em vez de ir directo para o sítio marcado.
Não percebi bem a razão do protesto, mas penso que reclamam subsídios para acabarem a 4ª classe e comparticipação nas pastilhas para a rouquidão. É que insultar diariamente dezenas de passageiros dá cabo da garganta... PÓ PÓ!!
TOBIAS OU NÃO TOBIAS, MTA LOUKO,PAH!
Fui ao teatro Vilaret ver os "Hamlets", com o Diogo Infante e o Marco d' Almeida. Um espectáculo irónico e divertido. Fala do trabalho do actor, da busca da fama, fazendo umas incursões pela política americana para o mundo.
Tanto um como outro dos actores vão muito bem. A fazer esquecer outros trabalhos menores e certamente mais remunerados, como a fragilíssima "Jóia de África", na TV. A ver, até sábado.
Mas, o que me fez impressão foi o público daquele teatro. Eclético como se deseja, gente de várias origens e sensibilidades. O problema é que de tão variada e disponível, a plateia perdia-se num torrencial de gargalhadas. Mesmo quando o texto falava de coisas trágicas ou apelava a uma atenção mais atenta. Resumo: riam-se do que tinha graça e do que era para não a ter. Um mal de que os actores se queixam frequentemente, baixinho.
ps: o tipo à minha frente apanhou uma barrigada de riso de que ainda se há-de estar a recompôr. Então na parte em que a personagem do Diogo Infante dizia para o público: "Vocês gostariam era de me ver desaparecer em chamas", ia roçando a apoplexia. Deus guarde tão fino espírito.
Fui ao teatro Vilaret ver os "Hamlets", com o Diogo Infante e o Marco d' Almeida. Um espectáculo irónico e divertido. Fala do trabalho do actor, da busca da fama, fazendo umas incursões pela política americana para o mundo.
Tanto um como outro dos actores vão muito bem. A fazer esquecer outros trabalhos menores e certamente mais remunerados, como a fragilíssima "Jóia de África", na TV. A ver, até sábado.
Mas, o que me fez impressão foi o público daquele teatro. Eclético como se deseja, gente de várias origens e sensibilidades. O problema é que de tão variada e disponível, a plateia perdia-se num torrencial de gargalhadas. Mesmo quando o texto falava de coisas trágicas ou apelava a uma atenção mais atenta. Resumo: riam-se do que tinha graça e do que era para não a ter. Um mal de que os actores se queixam frequentemente, baixinho.
ps: o tipo à minha frente apanhou uma barrigada de riso de que ainda se há-de estar a recompôr. Então na parte em que a personagem do Diogo Infante dizia para o público: "Vocês gostariam era de me ver desaparecer em chamas", ia roçando a apoplexia. Deus guarde tão fino espírito.
26 de junho de 2003
IMPRENSA
Bem lindo este artigo do Público sobre blogues. E a ironia de estilo não é de todo displicente.
"Nos seus pequenos territórios envidraçados, tudo pode ser dito sem castigo, tudo pode ser feito sem censura. São uma mistura de "voyeurs" e exibicionistas em estilo "soft", ora penteando-se demoradamente em frente ao espelho, ora despindo-se em suave "striptease", ora espiando-se uns aos outros como querem que os espiem a eles. Para que escreve alguém senão para outro alguém, depois de para si mesmo? "
Bem lindo este artigo do Público sobre blogues. E a ironia de estilo não é de todo displicente.
"Nos seus pequenos territórios envidraçados, tudo pode ser dito sem castigo, tudo pode ser feito sem censura. São uma mistura de "voyeurs" e exibicionistas em estilo "soft", ora penteando-se demoradamente em frente ao espelho, ora despindo-se em suave "striptease", ora espiando-se uns aos outros como querem que os espiem a eles. Para que escreve alguém senão para outro alguém, depois de para si mesmo? "
LIVROS
Afinal o bookcrossing está mais vivo do que eu pensava. Segundo as estatísticas encomendadas pela APEL, a maioria dos portugueses tem menos de 25 livros em casa. E só 1% tem mais de 1000 (se bem que aqui, julgo que o Pedro Mexia ajuda bastante esta média...). Sim senhor, compram os livros e lançam-nos à rua, para que outros possam aproveitar. Não ficam com quase nenhuns para eles. É bonito.
ps: não sei se terá alguma relação, mas as grandes percentagens neste inquérito vão para "Não sabe/Não responde"...
Afinal o bookcrossing está mais vivo do que eu pensava. Segundo as estatísticas encomendadas pela APEL, a maioria dos portugueses tem menos de 25 livros em casa. E só 1% tem mais de 1000 (se bem que aqui, julgo que o Pedro Mexia ajuda bastante esta média...). Sim senhor, compram os livros e lançam-nos à rua, para que outros possam aproveitar. Não ficam com quase nenhuns para eles. É bonito.
ps: não sei se terá alguma relação, mas as grandes percentagens neste inquérito vão para "Não sabe/Não responde"...
PROTESTO INDIGNADO
Acho indecente que Mota Amaral não tenha concedido dispensa aos nossos deputados que foram ver a bola a Sevilha. Segundo o DN, os partidos "fizeram-se representar" por vários deputados e as custas correram pelos Dragões. Logo aí já acho mal. Não só a Assembleia deveria ter ido em peso, como devíamos ter sido nós, contribuintes, a pagar o avião e as almoçaradas. Afinal, tratava-se de uma missão da mais alta importância e o sacrifício dos deputados merecia melhor tratamento...
Acho indecente que Mota Amaral não tenha concedido dispensa aos nossos deputados que foram ver a bola a Sevilha. Segundo o DN, os partidos "fizeram-se representar" por vários deputados e as custas correram pelos Dragões. Logo aí já acho mal. Não só a Assembleia deveria ter ido em peso, como devíamos ter sido nós, contribuintes, a pagar o avião e as almoçaradas. Afinal, tratava-se de uma missão da mais alta importância e o sacrifício dos deputados merecia melhor tratamento...
VAIVÉM
Recebi hoje duas notícias por telefone.
Uma anunciava-me um nascimento, a outra, uma morte.
Na província, uma prima dava à luz. Um camião de quase quatro quilos (1º parto...). Telefonei-lhe a dar-lhe os parabéns e a certificar-me que ainda respirava. Calculo que no mesmo dia tenham nascido outros 16 milhões de crianças iguais a esta. O que nos dá sempre uma sensação de humildade.
O segundo telefonema falava-me do suicídio de alguém que conheci em criança. Com quem convivi desde que nasci até à adolescência.
Era um homem (vejo-o como o jovem que deixei no momento da partida) sem nada de especial. Pequeno e simp?tico. Sem profissão de jeito, nem vida sentimental que lhe preenchesse tão bem o vazio como o álcool.
Matou-se. E com a sua morte foi como se uma borracha invisível apagasse mais uma imagem da minha vida. Uma a uma, elas vão desaparecendo até só restarem os seus fantasmas.
Deve ser por isso que chegar ao fim, na velhice, nos há-de parecer um acto natural...
Recebi hoje duas notícias por telefone.
Uma anunciava-me um nascimento, a outra, uma morte.
Na província, uma prima dava à luz. Um camião de quase quatro quilos (1º parto...). Telefonei-lhe a dar-lhe os parabéns e a certificar-me que ainda respirava. Calculo que no mesmo dia tenham nascido outros 16 milhões de crianças iguais a esta. O que nos dá sempre uma sensação de humildade.
O segundo telefonema falava-me do suicídio de alguém que conheci em criança. Com quem convivi desde que nasci até à adolescência.
Era um homem (vejo-o como o jovem que deixei no momento da partida) sem nada de especial. Pequeno e simp?tico. Sem profissão de jeito, nem vida sentimental que lhe preenchesse tão bem o vazio como o álcool.
Matou-se. E com a sua morte foi como se uma borracha invisível apagasse mais uma imagem da minha vida. Uma a uma, elas vão desaparecendo até só restarem os seus fantasmas.
Deve ser por isso que chegar ao fim, na velhice, nos há-de parecer um acto natural...
25 de junho de 2003
A SOLIDÃO DO BLOGUISTA DE FUNDO
Há alturas em que pesa o fardo de manter sozinho um blogue.
Como quando vemos a contratação da Inês Fonseca Santos, que além de inteligente, bonita e escrever bem, ainda é uma entrevistadora formidável, pelo Desejo Casar.
Vou ter que repensar esta coisa do celibato, é o que é...
Há alturas em que pesa o fardo de manter sozinho um blogue.
Como quando vemos a contratação da Inês Fonseca Santos, que além de inteligente, bonita e escrever bem, ainda é uma entrevistadora formidável, pelo Desejo Casar.
Vou ter que repensar esta coisa do celibato, é o que é...
CARAS
Como estou a ficar velho (cof cof) ou pelo menos dizimado por uma variante da doença de Alzheimer, não me lembro se já falei aqui da cobertura televisiva do último lançamento de livro a que assisti... Não?... Está um senhor ali atrás a dizer, Que Não. Vou fazer fé nele.
No meio de um vasto grupo de escritores e pensadores portugueses, a menina da sic e o seu rapaz do gongo, vulgo cameraman, olhavam desesperados para todos os lados. Nitidamente não faziam ideia nenhuma de quem eram as pessoas que os cercavam. E muito claramente também não era o momento de descobrirem. Finalmente vejo um movimento inusitado nos seus corpos e lá vão eles a correr para a entrada: era o Vitor de Sousa... Daí a pouco, outro momento de alegria: a Vera Roquette.
No percurso acotovelaram gente a quem eu pedia delicadamente licença para ficar ao pé...
Depois voltaram para Carnaxide com a sensação do dever cumprido.
Permitam-me só que repita uma expressão do início do post: "lançamento de livro ".
Como estou a ficar velho (cof cof) ou pelo menos dizimado por uma variante da doença de Alzheimer, não me lembro se já falei aqui da cobertura televisiva do último lançamento de livro a que assisti... Não?... Está um senhor ali atrás a dizer, Que Não. Vou fazer fé nele.
No meio de um vasto grupo de escritores e pensadores portugueses, a menina da sic e o seu rapaz do gongo, vulgo cameraman, olhavam desesperados para todos os lados. Nitidamente não faziam ideia nenhuma de quem eram as pessoas que os cercavam. E muito claramente também não era o momento de descobrirem. Finalmente vejo um movimento inusitado nos seus corpos e lá vão eles a correr para a entrada: era o Vitor de Sousa... Daí a pouco, outro momento de alegria: a Vera Roquette.
No percurso acotovelaram gente a quem eu pedia delicadamente licença para ficar ao pé...
Depois voltaram para Carnaxide com a sensação do dever cumprido.
Permitam-me só que repita uma expressão do início do post: "lançamento de livro ".
FRUCTOS LITTERARIOS
Belos eram os dias em que mecenas patrocinavam livros. Uns atravessaram a História, outros nãos. Outros usaram-na nas suas narrativas... Sobre a minha mesa, A CONQUISTA DE LISBOA, romance histórico escrito por Carlos Pinto de Almeida. No meio do amarelo das folhas e da data de publicação (1866), a dedicatória ao benfeitor:
"Ill.mo ex.mo Conselheiro António Serpa Pimentel.
Offereço a V. Ex.a um simples fructo do meu trabalho, não pela convicção do seu merecimento litterario, mas sim por ser o unico meio de lhe demonstrar, que uma offerta insignificante, representa todavia o sentimento de gratidão, que me anima, para com V.Ex.a.
Trabalhe e tanha fé, me disse um dia V. Ex.a, acceitando como um dogma estas palavras, tenho encontrado n'ellas um princípio tão santo e justo, que se me não tem dado interesses materiaes, tem-me feito crear amor ao trabalho...."
É mais ou menos como agora...
Belos eram os dias em que mecenas patrocinavam livros. Uns atravessaram a História, outros nãos. Outros usaram-na nas suas narrativas... Sobre a minha mesa, A CONQUISTA DE LISBOA, romance histórico escrito por Carlos Pinto de Almeida. No meio do amarelo das folhas e da data de publicação (1866), a dedicatória ao benfeitor:
"Ill.mo ex.mo Conselheiro António Serpa Pimentel.
Offereço a V. Ex.a um simples fructo do meu trabalho, não pela convicção do seu merecimento litterario, mas sim por ser o unico meio de lhe demonstrar, que uma offerta insignificante, representa todavia o sentimento de gratidão, que me anima, para com V.Ex.a.
Trabalhe e tanha fé, me disse um dia V. Ex.a, acceitando como um dogma estas palavras, tenho encontrado n'ellas um princípio tão santo e justo, que se me não tem dado interesses materiaes, tem-me feito crear amor ao trabalho...."
É mais ou menos como agora...
Subscrever:
Mensagens (Atom)